quinta-feira, 26 de julho de 2012

O sorriso de Karenin



No bairro de Tereza -
Tereza caminhava com o objetivo de ir até a venda do bairro comprar verduras e frutas para ela e Tomas.
- Olha que tristeza. Acabaram de largar aqui no parque estes dois gatinhos! - era a vizinha de Tereza.
- Bom, o jeito é chamar alguma ONG. Acho que vou ligar para o lugar em que adotei o Arlequim - respondeu Tereza.
- Mas e aí? Eu não posso mais ter gatos em casa, já tive muitos e agora, minha mãe mora conosco e ela já não aceita mais.
- Bom...
- Tereza vê Tomas atravessando a rua, rumo ao portão de casa.
- Tomas!
- Vem ver uma coisa aqui!
- ? Que lindos!
- Podemos levar para casa até encontrarmos alguém para doá-los? Vou ligar para uma amiga ...
- Claro.
Tereza segurou o filhote clarinho, tapando-lhe os olhos para que ele não se assustasse com os carros que passavam na rua. Tomas levava o mais escuro que miava berrando assustado.

Em casa

- Não vamos dar nome para eles. Vamos chamá-los de menino (clarinho) e menina (escura).
- O Arlequim gostou deles!

Gatos assustados. Rabos entre as pernas.

O dia seguinte

Tereza acordou e foi olhar a caixinha onde os gatinhos dormiam. A gatinha preta olhava para ela, com olhar assustado. Tereza lembrou da sua sensação constante de não pertencer a lugar algum e sentiu-se confidente da gata.

Tres dias depois
Menino e Menina, agora são Petrúquio e Catarina.
Correm pela casa, brincam com Arlequim.

Pensamento de Tereza
Será que terei condições de cuidá-los até que "Karenin dê a luz dois croissants e uma abelha" ?

No trem

Trem Rio Grande da Serra sentido Brás.

Quatro amigos conversam no trem. São aventuras de bailes de samba-rock, coxinhas mal assombradas e calças de má qualidade vendidas à R$70 na porta de casas de dança.

Sem saber, são a atração do vagão. Os outros passageiros riem, ouvem e compartilham os casos dos quatro rapazes

A velha gata

Uma velha senhora, moradora de rua grita como uma gata: - Você me paga!
Um moleque de uns 35 anos diverte-se, fingindo roubar suas caixas de papelão. Ri da velha.
É realmente engraçado a voz rouca dela, volume baixo e tom indignado.

O grito calado, confuso e gago daqueles que não conseguem argumentos para se defender.

terça-feira, 17 de julho de 2012

De sorvetes a canções de fé


Brás - São Paulo
Policiais passam tomando sorvete de casquinha. Antes, um homem dubla canções de louvor a Deus, uma fé cênica tamanha! De deixar qualquer ator admirado.


Sépia

Um dia todo cotidiano vira memória.


É bem verdade, que existem fatos marcantes em nossas vidas. Livros escritos que não encontram livraria.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Série - cachorros na garagem

No bairro de Tereza - Um casal de gatos persas, parecem sábios chineses. Viro a esquina, passo na frente de uma escola.
Uma cachorrinha pequena, dessas de cabelo escovado, franja e lacinho, late muito respondendo a um latido mais grave.
Linda a cachorrinha. Late para firmar-se como cão.
Brinco. A dona dela ri. Elas são um pouco parecidas, ambas fizeram luzes nos cabelos.
Passo na frente da casa ao lado. Um cachorro de grande porte é quem late comunicando-se com ela.
São enamorados.Separados por um muro como Píramo e Tisbe.
O cão grande, a cachorrinha pequena.
Nunca se viram e sempre se amaram.
Um amor fadado a ser platônico.

Julho de 2012 - Encontros

Sábado (São Paulo) - Tereza entra no trem. São 8 horas da manhã. Temperatura amena. Com um vestido branco, botas da cor marrom, e um tipo de chale cinza sobre os ombros.
Uma senhora a olha.
Tereza pensa:
- Meu Deus, será que meu vestido está curto? Será que estou sexy demais e talvez por isso, vulgar!!
- Ela tem o mesmo olhar da minha avó. Minha mãe sempre me disse que minha avó condenava as pessoas, com o olhar e as narinas abertas.
- Esta mulher lembra a minha avó.
- Minha avó faleceu. Faz pouco mais de um ano.
- Não pode ser real.


O trem chega na estação Barra Funda (ponto final).

A mulher que continua olhando Tereza, fala:
- Filha, por favor, quando o trem chegar você dá a mão para mim, tenho medo do buraco (o vão entre o trem e a plataforma).

- Sim, realmente é perigoso.

Pulam o vão.

- Obrigada filha.
- Bom sábado para a senhora!
- Para você também.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Bolo de laranja

Bolo de laranja. Receita de massa de bolo pronta. Cobertura de suco de limão com açúcar. Por cima, mais, muito mais açúcar.
Errei, confundi os potes. Coloquei por cima do bolo sal ao invés de açúcar.
- Acho que vou querer mais um pedaço do bolo.
- Você gostou?
- Sim, está uma delícia. Quer dizer, não,.... é brincadeira.



Nas garagens das casas

Bairro de Tereza (São Paulo) - Estou de um jeito que nada da arte do ser humano me comove. Andando pelo bairro, vejo na maioria das garagens gatos e cachorros, uns me cumprimentam, outros me olham curiosos e tímidos.
Os animais me emocionam. Gatos e cachorros nas portas das casas me levam à minha infância, com café, bolo assando no forno e até mesmo besteiras da televisão.
Quente refúgio.
Se não me emociono com o ser humano é por que estou deixando de ser humana?
No caminho de volta para casa, cumprimento cachorros e gatos. Um senhor de uns 70 anos abana a mão para mim. Me emociono.






 Ainda sou humana.

O senhor e a criança

Brás (São Paulo) - Uma mãe, seu filho de colo e mais uma criança. São moradores de rua, fisionomia boliviana. A criança, de mais ou menos cinco anos de idade agita os braços, feliz por estar vendo algo ou alguém conhecido. É um senhor anão, elegante em seu terno cinza. Ele corre em direção à criança para abraçá-la.