sábado, 11 de agosto de 2012

Um dique contido

Em uma mata fechada, se vê alguma luz, uma faixa que ilumina de esperança o naufrago terrestre. A sombra come a luz, realizando o impossível.
Seus olhos são diques em estado de alerta podendo transbordar a qualquer instante. Adotou como lema, caminhar mesmo sem saber para onde ir. 
Segue ela, observando...

Um homem a contar historias de um amigo ateu, que ao lhe falarem: 
- Vai com Deus!
respondia.
- Obrigada, não há necessidade. Antes só, do que mal acompanhado. 

Duas mulheres em um ponto de ônibus. 
Uma mulher e um menino passam de mãos dadas. O menino usa óculos escuros.
- Coitadinho. Ceguinho.
O menino olha para trás, tira o óculos e sorri. Mais quatro vezes retorna o olhar.
Calafrio. 
- Um espirito!
...
Era só um menino deficiente e sua mãe cansada.

Tereza barra o dique. Mais uma vez.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O tempo simplesmente é .

Google - Tereza faz uma pesquisa rápida na internet sobre o tempo, as primeiras paginas são de sites de clima meteorologico. Uma metade de Tereza - tempo despertador: vai logo! não vai dar tempo!! Ela odeia tempo despertador. A outra metade de Tereza - tempo cheiro, tempo memoria, tempo carinho. Do tempo afeto, Tereza gosta. Atrás do computador, a gata Catarina dorme.


quinta-feira, 26 de julho de 2012

O sorriso de Karenin



No bairro de Tereza -
Tereza caminhava com o objetivo de ir até a venda do bairro comprar verduras e frutas para ela e Tomas.
- Olha que tristeza. Acabaram de largar aqui no parque estes dois gatinhos! - era a vizinha de Tereza.
- Bom, o jeito é chamar alguma ONG. Acho que vou ligar para o lugar em que adotei o Arlequim - respondeu Tereza.
- Mas e aí? Eu não posso mais ter gatos em casa, já tive muitos e agora, minha mãe mora conosco e ela já não aceita mais.
- Bom...
- Tereza vê Tomas atravessando a rua, rumo ao portão de casa.
- Tomas!
- Vem ver uma coisa aqui!
- ? Que lindos!
- Podemos levar para casa até encontrarmos alguém para doá-los? Vou ligar para uma amiga ...
- Claro.
Tereza segurou o filhote clarinho, tapando-lhe os olhos para que ele não se assustasse com os carros que passavam na rua. Tomas levava o mais escuro que miava berrando assustado.

Em casa

- Não vamos dar nome para eles. Vamos chamá-los de menino (clarinho) e menina (escura).
- O Arlequim gostou deles!

Gatos assustados. Rabos entre as pernas.

O dia seguinte

Tereza acordou e foi olhar a caixinha onde os gatinhos dormiam. A gatinha preta olhava para ela, com olhar assustado. Tereza lembrou da sua sensação constante de não pertencer a lugar algum e sentiu-se confidente da gata.

Tres dias depois
Menino e Menina, agora são Petrúquio e Catarina.
Correm pela casa, brincam com Arlequim.

Pensamento de Tereza
Será que terei condições de cuidá-los até que "Karenin dê a luz dois croissants e uma abelha" ?

No trem

Trem Rio Grande da Serra sentido Brás.

Quatro amigos conversam no trem. São aventuras de bailes de samba-rock, coxinhas mal assombradas e calças de má qualidade vendidas à R$70 na porta de casas de dança.

Sem saber, são a atração do vagão. Os outros passageiros riem, ouvem e compartilham os casos dos quatro rapazes

A velha gata

Uma velha senhora, moradora de rua grita como uma gata: - Você me paga!
Um moleque de uns 35 anos diverte-se, fingindo roubar suas caixas de papelão. Ri da velha.
É realmente engraçado a voz rouca dela, volume baixo e tom indignado.

O grito calado, confuso e gago daqueles que não conseguem argumentos para se defender.

terça-feira, 17 de julho de 2012

De sorvetes a canções de fé


Brás - São Paulo
Policiais passam tomando sorvete de casquinha. Antes, um homem dubla canções de louvor a Deus, uma fé cênica tamanha! De deixar qualquer ator admirado.